IMG_9759Uriel (אוּרִיאֵל : Aur 'El "Feu de Dieu, hebreu: Uriʾel, - hébreu tiberiano: ʾÛrîʾēl)  é o nome de um anjo da tradição monoteísta. Este arcanjo representa "a Luz de Deus". Na verdade, seu nome significa "Chama de Deus" ou "Fogo de Deus" e como sabemos, da chama, do fogo, tiramos a LUZ. Uriel é um dos arcanjos da tradição judia pós-exílio, bem como de algumas tradições cristãs. Ele é reverenciado pela Igreja Ortodoxa como um dos sete arcanjos principais. 

A Bíblia não faz menção de um anjo com o nome de Uriel. No entanto, seu nome é mencionado diversas vezes no Livro de Enoque1 e no Apocalipse de Esdras2, obras da literatura hebraica tardia. O Livro de Enoque invoca o Arcanjo Uriel como "o anjo que o Senhor da Glória deu à todas as estrelas que brilham no Céu e iluminam a terra." Uriel seria, então, o anjo que leva a luz do conhecimento de Deus à todos os homens. Ele seria também o anjo intérprete das profecias.

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Uriel é frequentemente identificado como o querubim que "permanece junto às portas do Éden com uma "espada ardente" e como aquele que guarda as portas dos hebreus marcadas com o sangue do Cordeiro. Ele também é tido como o anjo que "preside à tempestade e ao terror" (no Primeiro Livro de Enoque) é talvez, por essa razão, ele também é considerado o anjo do castigo/da punição. Na tradição apocalíptica), é ele quem deterá a chave que abrirá o Inferno no Final dos Tempos.

No início do Cristianismo, São Uriel Arcanjo era muito popular entre os cristãos. Essa tendência foi energeticamente combatida pela Igreja Católica Romana (principalmente à partir do século IV) pelo fato de seu nome não constar na Bíblia (como acontece com São Miguel, São Rafael e São Gabriel). Apesar disso, São Gregório, o Grande3, cita o nome de Uriel em seus escritos. 

A Igreja Ortodoxa considera Uriel como um dos sete principais arcanjos, junto com Rafael ("Deus cura" - Tobias 3,17), Gabriel ("Homem de Deus" ou "Poder de Deus"), Miguel("Quem é como Deus?"), Sealtiel ("Prece de Deus" - III Esdras, 5:16), Jehudiel ("Glória de Deus") e Barachiel ("Bençãos de Deus").

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Nas tradições e na hagiografia das igrejas pentecostais e anglicanas, Uriel é considerado um arcanjo. Ele é reconhecido como o Santo Patrono do Sacramento da Confirmação e tem sua festa celebrada no dia 29 de setembro4( o mesmo dia que a Igreja Católica Romana e Ortodoxa o celebram). A igreja gallicana celebra Uriel no dia 20 de abril e o venera juntamente como um dos quatro principais arcanjos, com São Miguel, São Rafael e São Gabriel. Ele é invocado para benzer as os quatro ângulos das casas (fazendo alusão aos 4 pontos cardeais) no Dia da Benção das Casas dentro da tradição galicana.

Na moderna angelologia cristã, ainda que de uma forma marginal, Uriel é identificado por vezes como Serafim, Querubim, Regente do Sol, Chama de Deus, Anjo da Presença Divina, Arcanjo da Salvação, presidindo sobre o Tártaro (Inferno). Em escrituras mais recentes é, mesmo, identificado com Phanuel (Fanuel) - a "Face de Deus". 

Em sua iconografia, é descrito frequentemente como trazendo consigo um livro ou rolo de papiro, simbolizando a sua sabedoria ou trazendo uma espada flamejante em suas mãos. 

Uriel é considerado o anjo patrono das artes e foi descrito por Milton5 como o "espírito de visão mais arguta de todo o Céu". Na tradição judia medieval, ele é considerado o "anjo do domingo" e o "anjo da poesia". 

Virgem das Rochas ou Rochedos (por vezes chamada de Madonna das Rochas) é uma pintura de Leonardo da Vinci(1483-1486) que originalmente foi uma encomenda de uma organização conhecida como a Confraria da Imaculada Conceição, que precisava de uma tela para ser peça central de um tríptico em um altar da Igreja de São Francisco, em Milão. As freiras deram dimensões específicas a Leonardo, e o tema desejado para a pintura era a Virgem Maria com São João Batista ainda bebê, Uriel Arcanjo e o Menino Jesus, abrigados em uma caverna. Este tema (com a presença de Uriel) era muito comum na época. Há 2 versões desta pintura: uma no Museu do Louvre, em Paris (França) e outra, na National Gallery, em Londres (Inglaterra).

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Notas:

1. O livro apócrifo de Henoc (ou Henoque e Enoque - às vezes encontrados também como Enoch ou Enoc) tem origem a partir do nome do personagem cuja biografia aparece em Gênesis 5,21-24:

Quando Henoc completou 65 anos, gerou Matusalém. Henoc andou com Deus. Depois do nascimento de matusalém, Henoc viveu 300 anos e gerou filhos e filhas. Toda a duração da vida de Henoc voi de 365 anos. Henoc andou com Deus, depois desapareceu, pois Deus o arrebatou.

A tradição que dá tanta importância a essa pessoa deriva de dois fatos importantes citados na passagem acima: 1) Henoc andou com Deus e 2) Deus o arrebatou.

Quando terminou a sua vida Deus o "tomou consigo". Usa-se o verbo hebraico 'laqah', o mesmo usado para descrever a subida de Elias para os céus no carro de foto (2Reis 2,11). Trata-se de um ser assunto na comunhão plena com Deus. Esse é o destino do homem justo, que durante a vida caminha intimamente com o seu Senhor. É por isso que Henor entra na tradição bíblica posterior como um emblema para todo so fiéis. Assim escreve Sirácide (Eclesiástico) 44,16; 49,14: Henoc agradou ao Senhor e foi arrebatado, exemplo de conversão para as gerações. Ninguém sobre a terra foi criado igual a Henoc, ele que foi arrebatado da terra. Lucas o insere na sua genealogia de Jesus (3,37) e a Carta aos Hebreus 11,5 lembra a sua fé exemplar: Foi pela fé que Henoc foi arrebatado, a fim de escapar da morte; e não o encontraram, porque Deus o arrebatou. Antes de ser arrebatado, porém, recebeu o testemunho de que foi agradável a Deus.

 A fama de Enoch

A fama de Enoch se propadou tanto no judaísmo que com o seu pseudonimo apareceu o mais importante entre os textos apócrifo do Antigo Testamento, conhecido como Livros de Henoc, que chegaram até nós, um em versão etíope e outro numa tradução eslava.

Antes de tratar desses livros e entrar na questão que você põe, é importante lembrar que na Carta de Judas nos versículos 14 e 15, aparece citado a versão etíope do livro de Henoc: Profetizou Henoc, o sétimo dos partriarcasa a contar de Adão, dizendo:  "Eis que o Senhor veio com as suas milícias exercere o julgamento sobre todos os homens e argüir todos os ímpios de todas as obras de impiedade que praticaram e de todas as plavras duras que proferiram contra ele os pecadores ímpios."

 Os livros de Henoc

Existem, na verdade, 3 livros chamados de Henoc.

  • Henoc Etíope, chamado normalmente como Livro de Henoch - Através deste link você pode ler, em português, esse livro).
  • Henoc Eslavo, também conhecido como Apocalipse de Henoc ou Segredos de Henoc
  • Apocalipse Hebraica de Henoc

 Henoc Etíope

É chamado assim porque chegou até nós em língua etíope (na verdade uma antiga língua da Etiopia, chamada ge'ez). A primeira parte, dos capítulos 1 até 36 é chamada Livro dos Vigilantes. A segunda parte (capítulos 37-71) é conhecida como Livro das Parábolas. A terceira, dos capítulos 72 a 82 é chamada de Livro da Astronomia. A quarta parte, chamada de Livro dos Sonhos, é composta pelos capítulos 83-90. E finalmente, a quinta parte (91 - 104) é chamada de Carta de Henoc. Os capítulos 105-108 formam a conclusão e, às vezes, são ditos Apocalipse de Noé.

O Livro de Henoc e o Cânon Bíblico

O livro não aparece nem na lista dos livros considerados inspirados pela Bíblia Hebraica e nem pela Bíblica Cristã. Embora apareça, como vimos, citado no Novo Testamento e em vários padres da Igreja, o livro não foi considerado inspirado pelo Espírito Santo. Fragmentos desse texto foram encontrados nas grutas de Qumran, mas quando os judeus definiram o próprio cânon não incluiram na lista. Os cristãos, cujo cânon se baseia na Setenta (Tradução grega do Antigo Testamento) - para os católicos, ou no cânon hebraico - para os protestantes - não considerarm o livro como canônico porque não está presente nem na Setenta nem na lista da Bíblia Hebraica.

A Igreja cristã Etíope, invés, considera esse livro inspirato e ele se encontra na sua bíblia.

Veracidade do Livro de Henoc

Como você pode ler, através do link indicado acima, o conteúdo do livro é muito complexo. A primeira parte fala de anjos infiéis e de viagens que Henoc realiza no céu, com os arcanjos e outros personagens. A segunda parte fala sobretudo do juízo, sobretudo contra os ímpios e os reis da terra. A terceira parte fala do calendário que parece ser o mesmo presente na comunidade de Qumran, onde foram descobertos os escritos do Mar Morto. A 4 parte, são contos de Henoc a Matusalém sobre seus sonhos. E, para concluir, Henoc anuncia o castigo para os pecadores e exorta os justos.

É difícil julgar a veracidade do livro, mesmo porque ele, com certeza, não pretende ser histórico. Para nós, cristãos, a decisão foi tomada pelos nossos padres quando definiram o cânon, a lista de livros considerados inspirados. Apesar disso, o livro é muito importante, não só pelo fato de ter sido escrito antes de Cristo, mas também pelo conteúdo. Por isso, estudá-lo é sempre recomendado. 

2. Saiba mais AQUI;

3. Papa Gregório I também conhecido como Gregório Magno ou Gregório, o Grande foi papa entre 3 de setembro de 590 e sua morte, tendo falecido em 12 de março de 604. Ele é conhecido principalmente por suas obras, mais numerosas que as de seus predecessores. Gregório é também conhecido como Gregório, o Dialogador na Ortodoxia por causa de seus "Diálogos" e é por isso que seu nome aparece em algumas obras listado como "Gregório  o primeiro papa a ter sido monge antes do pontificado. Gregório é reconhecido  e um dos padres latinos. É também venerado como santo por católicos, ortodoxos, anglicanos e alguns luteranos. Foi canonizado assim que morreu por aclamação popular, como era o costume. O protestante João Calvino admirava Gregório e declarou em seus "Institutos" que ele teria sido o "último bom papa". Fonte: Papa Gregório I;

4. Neste mesmo blog, veja as NOVENAS com os Santos Arcanjos, com o Coros dos Anjos e o Anjo da Guarda, com o Arcanjo Miguelcom o Arcanjo Rafaelcom o ARCANJO GABRIEL & ARCANJO GABRIEL E A VIRGEM MARIA que você poderá seguir aqui;

5. Saiba mais sobre John Milton AQUI e sobre sua principal obra O Paraíso Perdido AQUI;

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TEXTO ORIGINAL EM FRANCÊS TRADUZIDO LIVREMENTE PARA O PORTUGUÊS: 

Fontehttps://sites.google.com/site/missiongallicanedalsace/liturgie/temps-liturgiques/uriel

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